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25 de mai. de 2008

Cyberbullying: uma triste violência da internet:

Agressões, xingamentos e humilhação virtual? Muitas pessoas sofrem com o bullying on-line. A CAPRICHO conversou com algumas delas e descobriu o que pode ser feito para se defender desse tipo de violência.

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Ana Carolina Favano, 20, e Leandro Rocha, 21, já estavam juntos há 4 meses quando a vida dos dois tomou um rumo completamente novo: enquanto ele passou a ser reconhecido em todo o País como Gee, o guitarrista da NX_Zero, ela descobriu que namorar celebridades pode ser motivo para ser perseguida e humilhada através da internet.

Acostumada a viver no anonimato, Ka (como gosta de ser chamada), tomou um susto quando percebeu que já não era mais tão anônima assim. Primeiro, vieram os inúmeros perfis fake no Orkut, passando-se por ela. Logo, surgiram os comentários maldosos a seu respeito e as fotos alteradas do Photoshop que distorciam sua imagem.

Em pouco tempo, já existiam dezenas de comunidades criadas apenas lhe agredir, envolvendo inclusive o nome de suas irmãs (uma delas, gêmea de Carol).

Segundo Ana Cláudia Favano, mãe da Ka, a fase foi difícil: “Ela ficou muito chateada. Foi um inferno mesmo. Sofremos muito constrangimento. No início, meu marido e eu ainda respondemos algumas vezes às agressões virtuais, mas em outubro de 2007, a situação ficou insustentável”.

Foi a partir de então que a família resolveu procurar orientação jurídica e descobriu que aquele era um caso conhecido por cyberbullying, em que usuários se valem do anonimato da internet para maltratar, humilhar e constranger alguém através de email, blogs, MSN, fotologs e sites de relacionamento como Orkut e Myspace.

Mais instruídos — e com a ajuda de diversas fãs do NX-Zero —, os pais de Carol entraram em contato com o Google e conseguiram retirar do ar alguns perfis e comunidades difamatórias e descobrir a identidade real de vários envolvidos no cyberbullying. Aos poucos, a situação melhorou e hoje Carol convive bem com o fato de namorar alguém famoso. “Leandro sempre me disse que ia ser difícil. No começo, me sentia muito mal vendo as pessoas usar minhas fotos, invadir minha privacidade. Não conseguia entender todas essas coisas, mas aprendi a lidar com isso de maneira que não impeça nossa felicidade”, disse Carol.




Ka com o namorado Gee, do NX Zero: "Aprendi a lidar com isso de maneira que não impeça nossa felicidade."

TRAGÉDIA - Os casos de cyberbullying, no entanto, nem sempre terminam de forma pacífica como aconteceu com a família Favano. Em 2006, o estudante de Educação Física, Thiago Arruda, 19, foi alvo de uma comunidade no Orkut, criada apenas para inventar boatos sobre os moradores da cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Chamado de “homossexual e pedófilo” e agredido nas ruas por pessoas que acreditavam nas acusações, Thiago suportou quase um ano de humilhação até que, em março do ano passado, ele escreveu na internet que caso as agressões não parassem, ele se mataria. A resposta que teve dos membros da comunidade foi um incentivo ao suicídio, em que até mesmo o “melhor método” foi ensinado.

No dia seguinte às mensagens, Thiago foi encontrado morto dentro do seu carro, estacionado na garagem de sua casa. Com uma mangueira no escapamento do automóvel, ele levou o fluxo de monóxido de carbono (gás que, quando inalado em grandes quantidades causa morte por asfixia) e morreu sufocado. Na época, a polícia do Paraná chegou a identificar alguns membros da comunidade, mas ninguém foi preso.